quarta-feira, 11 de setembro de 2013

TEXTOS PARA TRABALHAR NA DISCIPLINA DE ENSINO RELIGIOSO

O que se quer com a economia verde?


O que se quer com a economia verde?
Leisa Perch (*)
No próximo ano comemora-se o vigésimo aniversário da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992 no Rio de Janeiro e da Agenda 21.
Há vinte anos líderes mundiais uniram-se em torno de um compromisso global que sinalizou uma mudança fundamental no desenvolvimento. Uma avaliação honesta sugere que, embora avanços tenham sido feitos e as inovações tenham ocorrido, temos fracassado com frequência em consolidar novas estruturas de macro-política que representem verdadeiramente uma mudança nos negócios. Anos depois, danos ambientais foram estimados em US$ 6,6 trilhões somente em 2008 (PNUMA, 2010) e a Agência Internacional de Energia indica que as emissões de gás carbônico (CO2) em 2010 foram as maiores já registradas. No próximo ano, a Conferência Rio +20 não pode ser “business as usual” como dizem os americanos quando se referem à forma tradicional de fazer negócios. Há falta de credibilidade entre os países, além da percepção de responsabilidades e capacidades diferenciadas.
A Rio+20 nos fornece uma oportunidade para: (1) manter o foco no desenvolvimento centrado nas pessoas e dar continuidade aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM); (2) realizar uma revisão crítica no que tem dado certo e as causas das nossas falhas; e (3) fazer da inclusão social um tema central nas discussões. É por essa razão que o foco no quadro institucional é tão importante quanto a economia verde em si. Sem mecanismos fortes e eficazes de governança, provavelmente as ferramentas tradicionais de negociação levarão os esforços para uma economia mais verde por água abaixo.
Muitas vezes tratada como importante, mas não como prioridade estratégica, a redução da pobreza, a inclusão dos grupos marginalizados e a igualdade de gênero devem agora passar diretamente para o centro do debate. Falhamos muitas vezes ao não encarar o modo com que a pobreza obriga os pobres a depender exclusivamente dos recursos ambientais para a subsistência e sobrevivência ou como fatores que levam ao crescimento dependem da qualidade e quantidade dos recursos naturais. Na África Subsaariana, 96% da população depende da agricultura pluvial. Atualmente, mais de um bilhão de pessoas vivem com menos de US$ 1,25 por dia, mais de 2,6 bilhões de pessoas não tem acesso às instalações de saneamento básico e higiene, e, na África, mulheres gastam 4 bilhões de horas para coletar água anualmente (ActionAid, 2009). Na África Subsaariana cerca de 140 milhões de pessoas vivem com a ameaça constante de secas ou inundações (Pierro e Desai (2008:123).
Então o que realmente precisamos para chegar a uma economia verde, nacional e globalmente?
Embora avanços tenham sido feitos e as inovações tenham ocorrido, temos fracassado com frequência em consolidar novas estruturas de macropolítica que representem verdadeiramente uma mudança nos negócios.
Medidas que não prejudiquem ainda mais as populações pobres que já sofrem a cada choque externo. Devemos ter em mente que as necessidades das pessoas com deficiência, pessoas vivendo com HIV/Aids e os povos indígenas são distintos de outros grupos minoritários. O progresso alcançado por meio do acesso universal a medicamentos deve ser complementado com acesso à nutrição e moradia para esses grupos, de forma segura, confiável e constante.
Deve ser dada atenção à segurança econômica das mulheres. Há uma tendência no impacto direto na saúde e no desenvolvimento dos filhos e na família em geral. Isso significa também criar um processo dinâmico de crescimento e de desenvolvimento rural e sustentável, aliviando a necessidade de muitas famílias se deslocarem para áreas urbanas em busca de trabalho e renda. Em muitos casos, homens deixam para trás esposas com a responsabilidade de, sozinhas, manterem seus familiares.
Expansão, inovação e apoio às tecnologias de pequena escala. Isso permitirá que pequenos agricultores, além de pequenas e micro-empresas façam uma transição mais rápida para a adoção de princípios “verdes” no modo de produção e comércio. Nos países africanos, como em outros países em desenvolvimento, a agricultura familiar domina a paisagem agrícola, contribuindo significativamente para a renda rural.
Que o mercado integre princípios mais éticos, incluindo aqueles de responsabilidade social. Há movimentos no Brasil sobre a Economia Solidária e em outros países existem vários pactos entre o governo, o setor privado, trabalhadores e a sociedade civil. Para que todos possam executar seus papéis de maneira eficiente e em sintonia, são necessários princípios e uma visão em comum. Mecanismos institucionais podem dar suporte e facilitar o desenvolvimento de princípios acordados mutuamente e ainda reponsabilizar os parceiros.
Quanto a empregos, o trabalho não deve ser apenas “verde” em termos “mais limpos”, mas também decentes, com remuneração justa, segurança e acessibilidade. Nos países em desenvolvimento, 82% das pessoas com deficiências vivem abaixo da linha de pobreza (ONU); em uma economia verde o emprego dessas pessoas necessita de atenção especial.
Para avançar, o desenvolvimento como um todo deve (1) mitigar os principais impactos da mudança ambiental, independente de sua forma, inclusive as mudanças climáticas; (2) proteger o progresso econômico e social alcançado, incluindo os riscos e benefícios das ações para o desenvolvimento, evitando tanto “aproveitadores” quanto a “sobrecarga dos mais pobres”; e (3) garantir a compatibilidade das ações de desenvolvimento em vários níveis. Ao deixar de se fazer isso, as possibilidades de se alcançar o “verde” de forma temporária e transitória aumentam, com pouca chance de um progresso contínuo. O desafio para o Rio+20 é definir pelo menos respostas concretas para algumas dessas questões fundamentais.
(*) Leisa Perch é especialista em políticas públicas e coordenadora da área de Desenvolvimento Rural e Sustentável do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo/PNUD (IPC-IG).
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A compreensão da cidade e o lixo



A compreensão da cidade e o lixo
PROFESSOR DO CURSO DE GESTÃO PÚBLICA DA UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO
Anderson Rafael Nascimento
Já faz um tempo que a varrição das ruas deixou de ser realizada pelo Estado e foi transferida para organizações sociais ou empresariais. O problema é que, nessa transferência, o controle social é o aspecto menos valorizado. 

A formulação dos contratos entre as prefeituras e as empresas ainda não alcançou um nível de maturidade que contemple a transparência necessária nas ações públicas por parte das empresas e responda às necessidades dos beneficiários dos serviços. Digo isso porque ainda falta, nos instrumentos jurídicos, espaço para o planejamento de indicadores de resultados, aspecto a ser compartilhado entre governo e sociedade. Tal ação parte de uma gestão compartilhada construída pelo exercício político.

O lixo jogado nas ruas demonstra uma falta de conscientização individual em relação ao papel de cada um na construção e organização do espaço da cidade. A realidade é que falta às pessoas a importante percepção de que a cidade que sujam é a mesma em que moram, trabalham e vivem. 

Essa carência de civilidade aumenta o trabalho dos serviços de varrição, que passa a ser um exercício quase que eterno, pois nunca alcança um resultado satisfatório. Neste sentido, fica claro que a cidade carece de comunicação educativa que demonstre às pessoas o seu papel na construção do espaço como um todo e na preservação do ambiente.

É impossível negar que uma cidade do tamanho de São Paulo sofre os efeitos de sua imensidão. E isso porque as pessoas normalmente não se sentem incluídas no gigantesco território em que conduzem as suas vidas. 

A metrópole engole todas as representações e desencanta ações integrais. A compreensão da cidade ou do espaço em que vivemos se faz por meio de ação local e interessada.
A gestão da cidade por aqueles que convivem em seu território é uma das formas de reapropriar o espaço da vida, por parte de cada um que a compõe. 

E, por meio dessa ação e ativando os espaços da metrópole, é possível chamar os cidadãos - beneficiários da limpeza pública - para, por exemplo, criar indicadores de sua satisfação e acompanhar a prestação de contas públicas das empresas contratadas. 

Para que esses indicadores pudessem fazer diferença no cotidiano de cada cidadão, neles poderiam ser previstos fatores como a comunicação educativa, com vistas à diminuição paulatina dos serviços de varrição e dos recursos gastos nos contratos.

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URGÊNCIA DE UM ETHOS MUNDIAL : O Ethos mundial que precisamos.

URGÊNCIA DE UM ETHOS MUNDIAL : O Ethos mundial que precisamos.
Problemas globais, soluções globais
Três problemas suscitam a urgência de uma ética mundial: a crise social, a crise do sistema de trabalho e a crise ecológica, todas de dimensões planetárias.
A crise social – os indicadores são notórios, a mudança da natureza da operação tecnológica, mediante a robotização e a informatização, propiciou uma produção fantástica de riqueza. Ela vem de forma altamente desigual, por grandes corporações transnacionais e mundiais que aprofundam ainda mais o fosso existente entre ricos e pobres. Essa acumulação é injusta, porque pessimamente distribuída. Os níveis de solidariedade entre os humanos decaíram aos tempos de barbárie mais cruel.
Tal fato suscita um fantasma aterrador: uma bifurcação possível dentro da espécie humana. Por um lado estrutura-se um tipo de humanidade opulenta, situada nos países centrais, que controla os processos científico-técnicos, econômicos e políticos e é o oásis dos países periféricos onde vivem as classes aquinhoadas. Todos esses se beneficiam dos avanços tecnocientíficos, da bioegenética e da manipulação dos recursos naturais e vivem em seus refúgios por cerca de 120/130 anos, tempo biológico de nossas células. Por outro, a velha humanidade, vivendo sob a pressão de manter um status de consumo razoável ou simplesmente na pobreza, na marginalização e na exclusão. Esses, os deserdados e destituídos, vivem como sempre viveu a humanidade e alcançam no máximo a média de 60-70 anos de expectativa de vida.
A Crise do Sistema de Trabalho – as novas formas de produção cada vez mais automatizadas dispensam o trabalho humano; em seu lugar, entra a máquina inteligente. Com isso, destroem-se postos de trabalho e tornam-se os trabalhadores descartáveis, criando um imenso exército de excluídos em todas as sociedades mundiais.
Tal mudança na própria natureza do processo tecnológico demanda um novo padrão civilizatório. Haverá desenvolvimento sem trabalho. A grande não será o trabalho – esse no futuro será luxo de alguns -, mas o ócio. Como passar de uma sociedade de pleno emprego para uma sociedade de plena atividade que garanta a subsistência individual?
A Crise Ecológica – nas últimas décadas, temos construído o princípio da autodestruição. A atividade humana irresponsável produziu danos irreparáveis a biosfera e a condições de vida dos seres humanos na terra. Vivemos sob uma grave ameaça de desequilíbrio ecológico que poderá afetar a terra como sistema integrador de sistemas. Os climas, as águas potáveis, a química dos solos, os microorganismos, as sociedades humanas. A sustentabilidade do planeta, urdida em bilhões de anos de trabalho cósmico, poderá desfazer-se. A terra buscará novo equilíbrio que, seguramente, acarretará uma devastação fantástica de vidas. Tal princípio de autodestruição convoca urgentemente outro: o princípio de co-responsabilidade por nossa existência como espécie e como planeta.
A revolução possível em tempos de globalização
A causa principal da crise social se prende à formação como as sociedades modernas se organizam no acesso, na produção e na distribuição dos bens da natureza e da cultura. Essa forma é profundamente desigual, por que privilegia as minorias que detêm o ter, o poder e o saber sobre as grandes maiorias que vivem do trabalho; em nome de tais títulos se apropriam de maneira privada dos bens produzidos pelo empenho de todos. Os laços de solidariedade e de cooperação não são axiais, mas o são o desempenho individual e a competitividade, criadores permanentes de apartação social com milhões de marginalizados, de excluídos e de vítimas.
A raiz do alarme ecológico reside no tipo de relação que os humanos, nos últimos séculos, entretiveram com a Terra e seus recursos: uma relação de domínio, de não reconhecimento de sua alteridade e de falta de cuidado necessário e do respeito imprescindível que toda alteridade exige. O projeto de tecnociência, com as características que possui hoje, só foi possível porque, subjacente, havia a vontade de poder e de estar sobre a natureza e não junto dela e porque se destruiu a consciência de uma grande comunidade biótica, terrenal e cósmica, na qual se encontra inserido o ser humano, juntamente com os demais seres.
Esta constatação representa uma crítica ao tipo e de saber científico-técnico e à forma como lê foi apropriado dentro de um projeto de dominium mundi. Este implica a destruição da aliança de convivência harmônica entre os seres humanos e a natureza, em favor de interesses apenas utilitaristas e parcamente solidários. Não se levou em conta a subjetividade, a autonomia e a alteridade dos seres e da própria natureza.
Importa, entretanto, reconhecer que o projeto da tecnociência trouxe incontáveis comodidades para a existência humana. Levou-nos para o espaço exterior, criando a chance de sobrevivência da espécie homo sapiens/demens em caso de eventual catástrofe antropológica. Universalizou formas de melhoria de vida (na saúde, na habitação, no transporte, na comunicação, etc.) como jamais antes na história da humanidade. Hoje, entretanto, a continuação desse tipo utilitarista e anti-ecológica poderá alcançar limites intransponíveis e daí desastrosos. Para conservar o patrimônio natural e cultural acumulados, devemos mudar. Se não mudarmos de paradigma civilizatório, se não reinventarmos relações mais benevolentes e sinergéticas com a natureza e de maior colaboração entre os vários povos, culturas e religiões, dificilmente conservaremos a sustentabilidade necessária para realizar o projeto humano, aberto para o futuro e para o infinito.
Para resolver esses três problemas globais, dever-se-ia, na verdade, fazer uma revolução global. Entretanto, assim nos parece, o tempo das revoluções clássicas, havidas e conhecidas, pertence a outro tipo de história, caracterizada pelas culturas regionais e pelos estados-nações.
A saída que muitos analistas propõem é encontrar uma nova base de mudança necessária. Essa base deveria apoiar-se em algo que fosse realmente comum e global, de fácil compreensão e realmente viável. Partimos da hipótese de que essa base deve ser ética, de uma ética mínima, a partir da qual se abririam possibilidades de solução e de salvação da Terra, da humanidade e dos desempregados estruturais.
Nessa linha dever-se-à, pois, fazer um pacto ético, fundado não tanto na razão ilustrada, mas no pathos, vale dizer, na sensibilidade humanitária e inteligência emocional expressas pelo cuidado, pela responsabilidade social e ecológica, pela solidariedade generacional e pela compaixão, atitudes essas capazes de comover as pessoas e movê-las para uma nova prática histórico-social libertadora. Urge uma revolução ética mundial.
Tal revolução ética deve ser concretizada dentro da nova situação em que se encontram a Terra e a humanidade: o processo de globalização que configura um novo patamar de realização história e do próprio planeta. Nesse quadro, deve emergir a nova sensibilidade e o novo ethos, uma revolução possível nos tempos da globalização.
Por ethos, entendemos o conjunto das inspirações, dos valores e dos princípios que orientarão as relações humanas para com a natureza, para com a sociedade, para com as alteridades, para consigo mesmo e para com o sentido transcendente da existência: Deus. Esse ethos nasce de uma nova ótica e toda nova ótica irrompe a partir de um mergulho profundo na experiência do Ser, de uma nova percepção do todo ligado, re-ligado em suas partes e conectado com a Fonte originária donde promanam todos os entes.
Leonardo Boff
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Território, cidadania e política na prestação de serviços públicos: o lixo em debate


Território, cidadania e política na prestação de serviços públicos: o lixo em debate
O corte de recursos para a varrição das ruas por parte da prefeitura de São Paulo permite um relacionamento entre conceitos que pareciam em desuso. Urbs, civitas e polis abrangem a cidade em sua estrutura física e na organização social que ela demanda. Da Grécia antiga surge a polis, local de encontro público e ensaio do que entendemos por política. Do latim, vem a idéia de civis ou civitas: cidadão, cidadania e civilização. Dessa mesma língua, veio a urbs, o urbano, que demarca o espaço territorial da produção e da vida.

A varrição das ruas deixou de ser realizada pelo Estado e foi transferida para organizações sociais ou empresariais. Nessa transferência, o controle social é o aspecto menos valorizado. A formulação dos contratos entre prefeitura e empresas ainda não alcançou maturidade que contemple a transparência necessária nas ações públicas por parte das empresas e responda às necessidades dos beneficiários dos serviços. Ainda falta, nos instrumentos jurídicos, espaço para planejamento de indicadores de resultados, aspecto a ser compartilhado entre governo e sociedade. Tal ação parte de uma gestão compartilhada construída pelo exercício político, aproximação da polis.

O lixo jogado nas ruas demonstra uma falta de conscientização individual em relação ao papel de cada um na construção e organização do espaço da cidade. Aproximando dos conceitos citados anteriormente, falta civitas às pessoas na percepção de que a cidade que elas sujam é a mesma em que moram, trabalham e vivem. Essa carência de civilidade aumenta o trabalho dos serviços de varrição, que passa a ser um exercício quase que eterno. Neste sentido, a cidade carece de comunicação educativa que demonstre às pessoas o seu papel na construção do espaço como um todo.

Os dois aspectos (ou a falta deles!) - polis e civitas - atingem diretamente o espaço e a geografia da cidade, a sua urbs. Uma cidade do tamanho de São Paulo sofre os efeitos de sua imensidão. As pessoas normalmente não se sentem incluídas ou do tamanho da cidade. A metrópole engole todas as representações e desencanta ações integrais. A compreensão da urbs ou do espaço que vivemos se faz por meio de ação local e interessada.

A gestão da cidade por aqueles que convivem em seu território é uma das formas de reapropriar o espaço da vida, por parte de cada um que a compõe. Por meio dessa ação e ativando os espaços da polis, é possível chamar os beneficiários da limpeza pública para, por exemplo, criar indicadores de sua satisfação e acompanhar a prestação de contas públicas das empresas contratadas. Nesses indicadores poderiam ser previstos a comunicação educativa, com vistas à diminuição paulatina dos serviços de varrição e dos recursos gastos nos contratos.
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O PEIXE,O AQUÁRIO E O SEU DONO


O peixe, o aquário e seu dono
Belmiro Valverde Jobim Castor

Tão ou mais importante que analisar os fatos recentes que levaram administradores públicos no Paraná, na Bahia e no Rio de Janeiro às páginas policiais ou que, nesse último, convenceram os fluminenses de que é Fernandinho Beira-Mar quem realmente os governa, é procurar entender como o Estado brasileiro chegou a esse ponto de desmoralização, em que todos os limites foram rompidos de maneira debochada e, até agora, praticamente impune.

É como se a máxima mordaz do Barão de Itararé se confirmasse: "para algumas pessoas, a vida pública é uma continuação da privada".
Os últimos episódios são uma demonstração cabal de que, em todos os campos, o Estado perdeu o controle sobre seus prepostos, que - por conta própria - passaram a definir os padrões de conduta que adotam. De que adianta proclamar com pompa e circunstância constitucional que "são invioláveis a vida privada, a honra e a imagem das pessoas" quando a solicitação para grampear telefones é concedida sem qualquer exame ou cautela, permitindo, até que desfeitas amorosas sejam punidas com a escuta ilegal da ex-amada e de seu novo amor?
De que vale assegurar na Lei Magna que "prestará contas qualquer pessoa física ou entidade pública que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros e valores públicos" se os mecanismos de controle se mostram cronicamente incapazes de detectar irregularidades, sobre as quais só irão se debruçar quando a imprensa ou a opinião pública indignada os alertar? De repente e só por acaso, a população descobre que o Estado e suas empresas estão "terceirizando" seus serviços para um punhado de empresas de que nunca se ouviu falar, denominadas por siglas inocentes que se beneficiam invariavelmente do regime, supostamente excepcional da "dispensa de licitação por notória especialização" que os administradores públicos lhes concedem com largueza sob as vistas complacentes do Tribunal de Contas?
Certamente a revelação dos nomes dos proprietários das empresas elucidasse em que os mesmos são notoriamente especializados... Fica também sabendo, que as estatais montaram redes de subsidiárias, em "parcerias estratégicas" com empresários amigos aos quais financiam e garantem mercado para o que produzirão. Ou ainda, como os fluminenses ficaram sabendo, que fiscais da receita estadual e burocratas do governo estadual têm poder ilimitado para cancelar multas milionárias.
Essa erosão do papel institucional do Estado brasileiro não deveria nos surpreender. Afinal, os últimos anos foram diligentemente gastos por teóricos de vários matizes para desmoralizar e demonizar a instituição do Estado, apresentando-o como fonte de todos os nossos males, máquina inútil e pantagruélica a corromper tudo aquilo em que toca. Para todos os males, haveria, porém, um remédio seguro: diminuir o seu papel, emascular seus poderes, vender o seu patrimônio, instilar nos negócios com a coisa pública, o ethos da esperteza e da expediência e do favorecimento explícito.
A complacência, a cumplicidade e a apatia dos governantes, de seus prepostos e, por que não, dos governados, só contribuíram para reforçar essa noção. Como cantou Chico Buarque, enquanto "dormia a pátria amada e mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações", a apatia cívica de nossas elites nacionais reforçava a certeza de que os arautos e beneficiários do fim do Estado não seriam incomodados.
Só há uma maneira de deter esse processo, que é promover uma imediata e radical modernização dos instrumentos de controle da sociedade sobre os atos dos governantes e para isso, não é necessário que se multipliquem as estruturas burocráticas de fiscalização, muito ao contrário. O que é preciso é que se instaure em todos os níveis da administração pública ou paraestatal, qualquer que sejam as formas jurídicas que adotem, uma completa e irrestrita política de transparência obrigatória dos atos de gestão.
Com as exceções ditadas pelo bom senso, como alguns poucos assuntos diplomáticos e militares, tudo o que fazem ou deixam de fazer os administradores públicos deveria ser de amplo domínio público e qualquer cidadão deveria ter o direito real de solicitar - e obter imediatamente - informações a respeito de qualquer decisão administrativa no âmbito do governo.
Os puristas dirão que, bem interpretada a legislação, esses direitos já poderiam ser exercidos atualmente, mas o destino inglório das chamadas ações populares e o retrospecto medíocre da atuação dos conselhos de administração, conselhos superiores e órgãos representativos da sociedade aliados ao hermetismo dos Diários oficiais, dos orçamentos estatais e o formalismo ritualista dos Tribunais de Contas demonstram que esses direitos, se é que existem, estão restritos aos iniciados e inacessíveis ao cidadão comum.
O administrador público deveria operar em um ambiente totalmente transparente, em que penetrasse continuamente a luz do sol, que alguém já definiu como o melhor detergente que existe, sem que isso signifique a subversão das estruturas institucionais. Seria como um aquário, em que o peixe está sempre à vista de todos. Afinal, não se conhece exemplos de más ações praticadas pelo peixe que o dono do aquário não saiba. Se souber e aprovar, o problema é dele. Mas não existe segredo entre o peixe e seu dono, como não deveria existir entre os governantes e seus patrões, a população.
Publicado na Gazeta do Povo, 02/03/2003
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TEXTOS PARA LER E TRABALHAR NA DISCIPLINA DE ENSINO RELIGIOSO



O Brasil e seus grandes problemas sociais

Publicado em: 24/04/2011 - 17:04:00
Aimagem do excluído socialmente



Ainda que nos últimos anos o Brasil tenha conseguido grandes avanços na área social, continua com muitos problemas afetando, de forma desagradável, a vida dos brasileiros e os mais preocupantes, são: desemprego, violência e criminalidade, poluição, saúde, educação, desigualdade social, habitação, entre tantos outros.
Mesmo com o aumento da geração de empregos nos últimos anos, produzidos pelo crescimento da economia, podemos ainda encontrar um percentual muito elevado de brasileiros desempregados. O crescimento da nossa economia não foi o suficiente para produzir os empregos necessários ao País. A carência de uma formação educacional adequada e de profissionais qualificados perturba a vida dos desempregados. Apesar de não terem seus direitos trabalhistas assegurados, uma grande fatia do universo de desempregados, está optando pela economia informal.
Por outro lado as grandes cidades estão sendo acometidas pelo crescimento absurdo da violência. O cotidiano da população brasileira passou a ter como presença assegurada, cada vez mais, diversos tipos de crimes, alguns, até com requintes de crueldades. As injustiças sociais aliadas à falta de rigor no cumprimento da lei exemplificam o alto índice da criminalidade em nosso País.
Os problemas ambientais, por sua vez, também não ficam atrás. A poluição do ar - principalmente nas grandes cidades - que recebe toneladas de gases poluentes, resultado da queima de combustíveis derivados de petróleo, afeta a saúde das pessoas, principalmente dos jovens e idosos.
Os rios, que transportam em seu leito uma gama insuportável de lixo domestico e industrial, também transportam doenças e afeta o ecossistema.
Atualmente as pessoas que possuem uma condição financeira melhor, procuram um plano de saúde privado, pois a saúde publica está sucateada, negligenciada e ate diria que se encontra na UTI do descaso. Hospitais públicos desaparelhados e superlotados, faltando medicamentos, equipamentos sem condições de uso, funcionários em greve, prédios mal conservados... Esta situação caótica afeta, de forma cruel, a população mais carente.
Costuma-se dizer que o maior problema do Brasil não é o financeiro e nem a corrupção – apesar dela também ser um dos cânceres deste País – é a educação – ou a carência dela. Segundo os institutos de pesquisas, em torno de quase 85% dos brasileiros são analfabetos ou semi-analfabetos, sendo que, 16,30 milhões são totalmente analfabetos, incapazes de ler ou escrever pelo menos um bilhete simples; 18,5% dos adolescentes entre as idades de 15 a 17 anos, não freqüentam escola.
Segundo a “Câmara Brasileira de Livros”, a cada ano são produzidos no Brasil, em média, entre 300 e 320 milhões de livros, mesmo assim, cerca de 23% da população - algo em torno de 40 milhões de pessoas - nunca leram um livro; 10% dos que já leram, não passaram do primeiro capitulo; do restante, poucos chegaram ao final da leitura. Esse índice é alarmante e assustador.
É preciso que atitudes, urgentes, sejam tomadas com relação à recuperação não só da estrutura física das escolas, como também, na qualidade do ensino, através da capacitação dos professores e federalização dos seus salários, elaborando um projeto de ensino com tempo integral do aluno na escola, desenvolvendo atividades educativas paralelas ao seu turno de estudo normal, com um programa de assistência alimentar adequado para o desenvolvimento físico e mental dos cidadãos, que terão a responsabilidade de gerir os interesses e o futuro deste País.
No Brasil - o País das desigualdades sociais - a má distribuição de renda causa um grande contraste. Uma pequena parcela da população é muito rica e contrastando com ela, uma grande fatia da população vive entre a pobreza e a miséria.
O Brasil ainda é um País muito injusto, mesmo com a distribuição de renda tendo melhorado, em função dos programas sociais.
A desigualdade social brasileira é uma das maiores do mundo, tornando jovens de baixa renda vulneráveis, pois a exclusão social os torna, cada vez mais, supérfluos e incapazes de terem uma vida digna.
As autoridades são os principais responsáveis por esse processo de desigualdade que provoca exclusão e gera violência. É necessário que os gestores do País planejem uma vida mais digna, com oportunidades de conhecimento para pessoas com baixa renda, dando-lhe a chance de trabalhar e ter o seu sustento garantido.
No âmbito da moradia o déficit habitacional é muito grande no Brasil. Favorecido pelo crescimento acelerado dos habitantes da zona urbana, existe milhões de famílias que não possuem a mínima condição habitacional adequada.
O surgimento de grandes favelas e cortiços tomou conta, não só da periferia das grandes cidades, como, em algumas capitais, até dos bairros nobres.
Tornou comum habitar sob viadutos e pontes, marquises e até em outras partes da cidade, onde passam grandes dificuldades.


Fonte: Alberto Peixoto


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Escola integrada à comunidade


REVISTA EDUCAÇÃO - EDIÇÃO 122
Escola integrada à comunidade
Ações sociais promovidas por instituições de ensino criam valor para a comunidade e dão forma ao conceito de cidadania entre os alunos
Ricardo Marques

Em Itarema, cidade do litoral cearense, o que começou como um simples trabalho de apoio a estudantes que prestam vestibular acabou trazendo para a cidade a extensão de uma universidade estadual. No outro extremo do país, na região missioneira do Rio Grande do Sul, uma escola municipal convenceu a prefeitura a aperfeiçoar o sistema de recolhimento de lixo, alterou os hábitos da população e engajou-se numa campanha de combate a um incipiente surto de dengue. No interior do Paraná, alunos de uma escola de ensino fundamental começaram a visitar abrigos de idosos e crianças e, agora, iniciam contatos com uma tribo indígena que precisa, literalmente, de tudo. Na zona sul de São Paulo, numa área de alto índice de criminalidade e baixo IDH, uma escola profissionalizante gratuita, sem nenhum tipo de ajuda oficial, há sete anos vem transformando alunos em professores e criando oportunidades para que outros adolescentes repitam essa trajetória.
Em lugares e situações tão diferentes, todas essas iniciativas têm uma origem comum: escolas que decidiram somar à educação convencional a decisão de assumir um papel ativo nas comunidades em que atuam: formar alunos com consciência de cidadania e responsabilidade social e multiplicar os efeitos das ações empreendidas. Ainda há muito a fazer, mas o balanço dos avanços já registrados é surpreendente, considerando que o trabalho costuma acontecer sem muito barulho, com reduzido registro nos meios de comunicação.
Para citar apenas um indicador, existem hoje no Brasil mais de 18 mil estabelecimentos de ensino básico certificados com o Selo Escola Solidária, que identifica aqueles que realizam ações sociais relevantes, capazes de ultrapassar o mero assistencialismo filantrópico. Há dois anos, havia 12 mil Escolas Solidárias, o que significa um crescimento de 50% no período. O selo foi criado pelo Instituto Faça Parte, entidade dedicada à consolidação da cultura do voluntariado na área educacional, com apoio da Unesco, do Ministério da Educação e do Conselho Nacional de Secretários da Educação (Consed).
 
"O Selo Escola Solidária destaca iniciativas que estimulam a vivência da cidadania e da solidariedade, por meio de projetos sociais e de intervenção na realidade, imbricados na proposta pedagógica, com cunho formativo e em harmonia com a principal função da escola, que é promover a aprendizagem", explica Kátia Gonçalves Mori, coordenadora do Instituto Faça Parte. O selo surgiu em 2003, e desde então multiplicou-se o número de escolas certificadas. "Agora, nosso objetivo não é mais a expansão numérica, e sim um avanço na qualidade das ações realizadas", salienta Kátia.
As estatísticas ascendentes do Instituto representam a evidência de que a escola, como matriz de cidadania, é capaz de sair dos limites de seus muros e promover ações que, concretamente, resultam em benefícios sociais. Na maioria das vezes, muito mais do que verbas, recursos ou orçamento, o que faz a diferença é iniciativa e disposição para inventar e sair da rotina de cumprir o currículo e os compromissos do ano letivo.
Alguns dos projetos das escolas que ostentam o selo são criativos, originais, autofinanciados e, sobretudo, focados nas carências locais. Abrangem um amplo espectro de atividades, do atendimento direto a segmentos historicamente abandonados, como idosos e crianças, até a ênfase na própria educação, com enfoque extracurricular. 
Cidade universitária
Um exemplo é a Escola Estadual de Ensino Médio Luzia Araújo Barros, de Itarema (CE), cujos alunos que pretendiam ingressar numa faculdade, até cinco anos atrás, tinham de procurar outras cidades. Com 33 mil habitantes, Itarema tem cerca de 50 escolas municipais de ensino fundamental e apenas uma estadual, de ensino médio, a Luzia Araújo Barros, que, em 1998, decidiu criar um cursinho gratuito, informal, com professores voluntários, para os alunos e interessados em geral. 
Não é difícil imaginar o cenário: uma cidadezinha à beira-mar, a 220 km de Fortaleza, natureza belíssima, mas sem escolas de ensino superior e fora dos roteiros turísticos. O estudante terminava o ensino médio e não tinha muita escolha: ia morar fora, ou resignava-se a parar de estudar e a arranjar alguma coisa por ali mesmo.
A iniciativa dos gestores da escola quebrou esse círculo vicioso. "No começo, a intenção era só abrir um curso preparatório para os alunos que sonhavam em fazer faculdade, principalmente os mais carentes. Mas o trabalho cresceu e, em pouco tempo, criou-se a oportunidade para a abertura, aqui em Itarema, de cursos da Universidade Estadual Vale do Acaraú, cuja sede fica em Sobral, a 120 km de Itarema", conta o diretor da escola, o professor José Ivaldo Bleasby Freires.
Atualmente, funcionam na escola estadual cursos de letras, biologia, história e matemática, todos com licenciatura plena. "Alguns de nossos ex-alunos agora são professores da universidade", explica José Ivaldo. "Criou-se uma perspectiva mais ampla para a população, com a possibilidade de ingresso numa faculdade local, o que melhorou o nível de toda a comunidade. Itarema já está acima da média de escolarização do Estado, erradicou quase totalmente o analfabetismo, e vai ficar cada vez melhor."
Sem prédios, sem bancos, sem quase nada
Um trabalho parecido se realiza num conturbado distrito no extremo sul da capital de São Paulo, onde se localiza o Centro Educacional e Assistencial de Pedreira (Ceap), que possui 488 alunos e 135 colaboradores, dos quais 51 são funcionários contratados. Não existem prédios na redondeza e quase nenhum serviço público. Do Ceap à agência do correio ou ao banco mais próximo é preciso andar meia hora de carro. A escola fica no meio de um conjunto de favelas conhecidas por nomes enganosos: Jardim Selma, Jardim Itapurá, Jardim Natari e outros jardins inóspitos. Atende a uma área que, grosso modo, pode ser circunscrita num perímetro de cinco quilômetros de diâmetro, no qual, segundo a subprefeitura de Santo Amaro, vivem 1,2 milhão de pessoas, população maior do que a da maioria das capitais brasileiras e que cresce 6% ao ano, mais do que a média do país.
Inicialmente, o Ceap criou um cursinho para os alunos, o Vestibular Extensivo Pedreira, ou VEP, com excelentes resultados. Em 2000, os dirigentes da escola perceberam a necessidade de apoiar também os jovens que queriam ingressar no próprio Ceap, a única escola profissiona-lizante na região, como explica o professor Jod Tori, que começou como voluntário em 1994 e foi contratado, com salário, em 2003: "Por aqui há pouca oferta de educação, por isso o Ceap é muito procurado. A escola oferece cursos técnicos de eletricidade residencial e industrial, informática aplicada, auxiliar de informática, administração, telemática e telecomunicações, para jovens de 10 a 18 anos, e a relação candidato-vaga é de dez para uma. Por isso, há um 'vestibulinho', mas a base do aprendizado da maioria é muito deficiente".
O novo curso foi chamado de "Vepinho", com duração de um ano e aulas aos sábados. Atualmente, atende a cerca de 200 alunos de 9 a 13 anos. Todos os professores são alunos ou ex-alunos do CAD, alguns formados em Letras pela USP.
"O garoto que se forma aqui consegue emprego no máximo em um mês", assegura Tori. "Quando isso acontece, ele dobra a renda da família. Além disso, 80% dos nossos ex-alunos fizeram ou estão fazendo faculdade, 30% deles em universidades públicas. Então, os efeitos se estendem para a família e para a comunidade, na forma de inclusão social. Eles só precisam de uma oportunidade", acrescenta.
Do lixo à dengue

O Ceap, segundo Kátia Mori, insere-se com perfeição no modelo de escola que o Instituto Faça Parte procura destacar neste ano. "O diferencial que buscamos agora é o bom nível das ações, para qualificar as escolas mais democráticas, que promovem ações sistematizadas, com proposta consolidada no projeto pedagógico e com uma integração mais forte com a família", explica.
Kátia lembra que a escola é, por excelência, um espaço de responsabilidade social e de cidadania: "Queremos identificar aquelas que, além de oferecer um bom aprendizado formal, também estejam preocupadas com a educação para a vida, a fim de intervir e melhorar as condições sociais".
Foi o que aconteceu na Escola Municipal São Paulo, da cidade gaúcha de Entre-Ijuís, com 10 mil habitantes e a 450 km de Porto Alegre, quase na fronteira com a Argentina e o Uruguai. Com 182 alunos de educação infantil e ensino fundamental, a escola iniciou em 2001 um trabalho de preservação do meio ambiente, que resultou numa ação para a redução da quantidade de lixo na beira das estradas, cercados e valetas da região.
Com a cooperação dos órgãos públicos, conseguiu que a prefeitura recolhesse semanalmente o lixo seco. Ao mesmo tempo, os alunos começaram a distribuir panfletos e promover palestras, caminhadas e gincanas ecológicas. Em 2005, criou a Cooperativa de Defensores do Meio Ambiente, formada por 30 alunos, responsáveis pelo recolhimento e pelo encaminhamento do lixo reciclável.
"Além do recolhimento semanal do lixo, pela prefeitura, conseguimos conscientizar a população a respeito das questões ambientais. Houve uma mudança de mentalidade, e hoje 90% dos moradores participam do nosso trabalho", diz a professora Regina Aparecida Machado de Souza, diretora da escola gaúcha.
O projeto valeu ao estabelecimento o segundo lugar no Prêmio Escola Solidária de 2006, um estímulo adicional para a promoção de outras ações. "Na semana passada, surgiram quatro notificações de casos de dengue no município, e já saímos em caminhada para o recolhimento do lixo e de objetos que facilitam a proliferação do mosquito", destaca Regina.
O trabalho começa em classe, com a abordagem interdisciplinar da questão ambiental, do lixo e dos recursos naturais renováveis: "Depois, vêm as ações fora da escola, envolvendo as famílias e a comunidade ".
Visita à aldeia
Esse envolvimento é fundamental em qualquer projeto desse âmbito, diz Kátia Mori, do Faça Parte: "Trata-se de fortalecer o capital social, que está muito fragilizado. Hoje, as pessoas não confiam umas nas outras, como resultado da violência e da cultura de levar vantagem. A escola deve assumir o papel de formadora da sociedade, da cidadania mais responsável, exercida na diversidade, na pluralidade e na solidariedade".

Solidariedade e cidadania são o tema do projeto desenvolvido na Escola Municipal Criança Feliz, de Marechal Cândido Rondon (PR), cuja maior parte da população, de 50 mil habitantes, descende de alemães. A diretora Alice Silvana Grutzmann Selke explica: "O trabalho começa na sala de aula, com o estudo dos temas relacionados à cidadania: direitos e deveres, ética, atitudes, valores e formas de participar dos problemas da comunidade. Em seguida, propõe-se aos alunos a atividade prática".

Nessa etapa, os estudantes se dividem em grupos e visitam entidades do município, como a Casa Lar e o Asilo de Idosos. As observações dos grupos são discutidas em classe, e então os alunos do 1º ao 5º ano, os professores e os funcionários organizam campanhas para arrecadar alimentos e roupas para serem doados. Ao entregá-los, os alunos promovem apresentações de música, teatro e dança para quem está nas entidades.
Com 487 alunos, da educação infantil ao 5º ano do fundamental, a escola já ampliou o projeto inicial. "Em junho, visitaremos uma aldeia indígena carente, em São Miguel do Iguaçu, para tentar ajudar no que for possível", diz Alice. A partir daí, a situação dos índios brasileiros passa a ser estudada pelos alunos sob uma nova ótica, a da experiência.
"O mais impressionante é perceber como os alunos se envolvem e se emocionam. São crianças de 9, 10 anos que vão às outras classes para explicar o projeto aos colegas, escrevem bilhetes para os pais, fazem cartazes e cuidam da divulgação das campanhas. Pensamos em fazer alguma coisa, e daí surgem outras idéias, que dão nova dimensão ao trabalho. Muda a atitude dos alunos, das famílias e da própria comunidade", acrescenta a diretora.

 

 

 

 

 

Escola em tempo de Comunicação


REVISTA EDUCAÇÃO - EDIÇÃO 123
Escola em tempo de Comunicação
Meios e processos comunicacionais são cada vez mais usados como forma de proporcionar ao aluno a expressão de sua subjetividade e de, supostamente, tornar o ensino mais atraente; função crítica da escola em relação à mídia é consensual.
Cassiano José, colaborou: Rubem Barros

Por volta das 20h do dia 30 de outubro de 1938, a Columbia Broadcasting System começou a gerar, em Nova York, um inusitado programa de rádio para suas emissoras associadas. No total, calcula-se que cerca de 6 milhões de pessoas tenham ouvido a emissão, um marco na história do rádio, então um veículo com menos de duas décadas de presença pública. Essa estrondosa repercussão, no entanto, foi resultado do pânico coletivo a que foram induzidos os americanos pelo extremo realismo da adaptação concebida pelo jovem Orson Welles para a Guerra dos Mundos, de H.G.Wells. Como muitos ouvintes pegaram a peça já pela metade, acreditaram piamente que a Terra estava sendo tomada por marcianos.
Desse dia em diante, se havia dúvida acerca do poder de influência do rádio e dos meios de comunicação de massa em geral, foi dissipada. Os regimes de exceção da época, aliás, já tinham percebido isso havia tempos, utilizando-os para insuflar seus adeptos ou para promover suas idéias de educação. No Brasil, o pioneiro Roquette-Pinto defendia, desde os anos 20, o uso educativo do rádio. A partir dos anos 60-70, com a popularização da televisão, os possíveis grandes aliados tornaram-se um temor para a escola: o que fazer com esses concorrentes, especialmente a TV, que seduzem os estudantes com imagens e sons e os desviam da árdua construção do mundo letrado, constitutiva do ideário iluminista?
Entrados no século 21, vivemos outros tempos: praticamente já não se questiona se o mundo da comunicação deve confluir para a educação, mas como estabelecer o diálogo entre um e outro. No ano passado, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) patrocinou um estudo, o primeiro do gênero já realizado no Brasil, com o intuito de descobrir quais os diferenciais de uma escola pública de qualidade em relação à média das instituições. Para isso, analisou, durante três meses, o trabalho de 33 escolas que se destacaram na Prova Brasil, avaliação realizada em 2005 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Ministério da Educação, com cerca de 3,3 milhões de alunos do ensino fundamental em mais de 40 mil escolas de 5.398 municípios brasileiros. Constatou que, entre outras características em comum, as 33 tinham modelos democráticos de gestão escolar e ofereciam a seus alunos a oportunidade de participar de projetos especiais, fora da grade curricular. O documento de apresentação do trabalho (Aprova Brasil - O Direito de Aprender) cita algumas dessas experiências, como o jornal mural do Colégio Estadual Horácio de Matos, em Mucugê, na Bahia, que "certamente reforça a capacidade de expressão escrita dos adolescentes", e a rádio-escola do Centro de Ensino 03, em Guará, no Distrito Federal.

O resultado veio como uma bênção para aqueles que há anos advogam a necessidade de o trabalho em ambiente escolar com mídias diversas tornar-se política pública, consagrando um trabalho que começou na década de 70, no âmbito das comunidades eclesiais de base da Igreja Católica, ganhou espaço no meio acadêmico nos anos 80, gerou inúmeros projetos de ONGs nos 90, e começa a virar política de governo.
A carreira de Ismar de Oliveira Soares, coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação (NCE) da Escola de Comunicações e Artes da USP reflete essa trajetória. Vindo dos movimentos sociais da Igreja, tornou-se uma referência entre os estudiosos de comunicação e educação do Brasil e da América Latina. Suas pesquisas levaram ao desenvolvimento de projetos do NCE, como o Educom.Radio, estendido em 2004 à rede municipal de ensino de São Paulo por meio de um projeto de lei. Por sinal, a capital paulista aprovou lei que determina que secretarias, entre elas a de educação, incluam projetos de educo-municação em seu planejamento.
Em função da própria estrutura pública do ensino no país, normalmente são os municípios e Estados que, em parceria com universidades e ONGs, desenvolvem projetos do gênero. Em âmbito federal, pouco há.
Em muitos países, no entanto, a alfabetização para a mídia, mídia-educação ou educomunicação é uma preocupação nacional. Nos Estados Unidos, o Ministério da Educação tem um departamento só para os projetos de media literacy (alfabetização ou letramento para a mídia). "Na Europa e nos Estados Unidos, essa preocupação está incorporada; é política de governo, e não de partido", explica Alexandre Le Voci Sayad, secretário-executivo da Rede de Experiências em Comunicação, Educação e Participação (Rede CEP). "Não tem descontinuidade: os projetos transpassam mandatos e resistem às alternâncias no poder", diz.
A Rede CEP foi criada em 2004 da união de dez organizações com histórico de projetos no setor. Seu objetivo é promover e qualificar políticas públicas que envolvam comunicação, educação e participação dos alunos no ambiente de ensino. Os trabalhos dessas organizações foram analisados pelo sociólogo e jornalista Fernando Rossetti, em 2003 e 2004, para um estudo encomendado pelo Unicef: Mídia e Escola - Perspectivas para Políticas Públicas. Sayad entende que essas iniciativas, de diferentes partes do país, devem realmente servir de modelo para os governos: "O governo tem de se mirar no que já existe. O que a gente não quer é que se reinvente a roda, que se crie um programete, um pacote federal que obrigue o educador do Rio Grande do Sul e o do Pará a fazer o mesmo projeto; o que a gente quer é que se ceda às diferenças regionais e sejam replicadas as boas práticas locais já desenvolvidas", defende.
Na prática, muitas das ONGs que integram a Rede CEP já têm secretarias municipais e estaduais de educação como parceiras. É o caso da Comunicação e Cultura, de Fortaleza, e da Bem TV, de Niterói, por exemplo. A luta da Rede é para que o vínculo entre poder público e terceiro setor resista às mudanças de governo. Em escala federal, o objetivo é colocar a educomunicação na agenda da educação brasileira.
 
 
 
 
Mídia educadora

É consenso entre os estudiosos da relação entre comunicação e educação que a escola demorou a compreender o impacto da mídia de massa na formação da consciência do indivíduo e dos valores da sociedade. "A escola, talvez desde meados do século 20, desde o advento do rádio e da TV, vem perdendo lugar no ordenamento dos valores e significados; certas funções antes exercidas pela Igreja e pela escola pública hoje são desempenhadas pelos meios de comunicação", analisa Eugênio Bucci, jornalista e doutor em Ciências da Comunicação pela USP. O resultado desse processo é que o professor de hoje não consegue mais competir com a televisão.
O que acontece, segundo Bucci, que presidiu a Radiobrás, agência de notícias do governo federal, de janeiro de 2003 a abril de 2007, é que a mídia sempre é educativa, quer tenha a intenção de sê-lo ou não. Os empresários e profissionais de comunicação deveriam, portanto, ser mais atentos à responsabilidade que pesa sobre eles. O fato, para Bucci, é que a pedagogia televisiva forma pessoas abertas às leis do espetáculo, seja quando educa para o consumo, o sexo ou a religião. A isso a escola deveria reagir. "A escola não pode servir de ressonância para apelos de mercado, não pode abrir mão de ser um espaço autônomo", aponta.
Para José Sérgio Fonseca de Carvalho, professor do departamento de Filosofia da Educação da Faculdade de Educação da USP, é "absolutamente pertinente" que a escola desenvolva uma capacidade de leitura crítica dos meios audiovisuais, pois, especialmente com o advento da TV, passamos a viver um novo fenômeno: o de ter uma emissão centralizada, com informações geradas a partir de centros de poder, com um esvaziamento da esfera pública. Essa leitura, porém, deve ser feita sem prejuízo de sua dimensão original.
"Nossas estruturas de pensamento são solidárias a um tipo de linguagem. É importante ter uma capacidade de leitura da imagem. Agora, o distanciamento crítico em relação à linguagem imagética não vem por meio dela. A cultura escolar é, sobretudo, a cultura letrada. A imagem não é capaz de passar um conceito, pois a linguagem conceitual não é imagética", defende Carvalho.

Os baixos índices de habilidades de leitura e escrita dos estudantes latino-americanos são apontados por outro intelectual, o educador colombiano Bernardo Toro, como um dos grande empecilhos para que as escolas utilizem os processos de leitura crítica e alfabetização para a mídia.
"A compreensão e a análise crítica dos meios de comunicação de massa são dos aprendizados mais necessários para se poder participar produtivamente da sociedade presente e futura. Lograr o domínio dessas novas gramáticas tecnológicas implica primeiro dominar as competências de leitura e escrita", diz Toro. Para o colombiano, não há dilema entre escola e meios de massa. A questão é a definição de um caminho ético de desenvolvimento sustentável compartilhado, que dê sentido ao saber que temos acumulado.
Esperar que os meios de comunicação espontaneamente passem a transmitir outros valores parece não ser suficiente. Cobrar do poder público o papel de proteger a escola do impacto da mídia esbarra na dificuldade que se encontra em classificar e estabelecer limites para os conteúdos, uma vez que medidas desse tipo tendem a ser vistas como mecanismos de censura. A televisão deverá, portanto, continuar sendo o que é, mas há quem entenda que não faria tanta diferença se ela tivesse outro caráter. "Eu não quero uma TV educativa, eu quero educar meus filhos", defende Edilson Cazeloto, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC e professor do curso de jornalismo do Mackenzie. No fim das contas, qualquer que seja a TV, pais e educadores terão sempre o desafio de não permitir que ela seja a grande formadora dos valores da sociedade. "O problema é deixar a TV grassar solta; a mídia tem um impacto negativo porque não é discutida", adverte Cazeloto. O educador precisaria assumir o papel de mediador entre a mídia e o indivíduo, levando o aluno a estabelecer uma relação crítica com os meios de comunicação, diz, corroborando Fonseca Carvalho.
 
 
 
Ser multimídia
As experiências dos que trabalham com alfabetização para a mídia demonstram que apenas o discurso do professor não basta para despertar o senso crítico do estudante. Por mais analítico e atraente que seja, ele também é impotente diante da sedução dos meios de comunicação. "A escola quer ensinar à criança como se comportar perante a mídia. Visto entre esses padrões - o da escola e o da mídia - o aluno prefere o da mídia e acaba não absorvendo a crítica que a escola quer promover. A educomunicação diz que a única solução possível é trazer a mídia para a escola, tornando-a um articulador do discurso", aponta Ismar de Oliveira Soares.

Em outras palavras, mais do que discutir mídia e interpretar os procedimentos e intenções dos veículos de comunicação, é preciso colocar o estudante no papel de protagonista, de agente do discurso. Não para que ele aprenda tecnicamente como se faz comunicação, mas para que compreenda o potencial que cada indivíduo tem de se expressar. "O importante é que o aluno aprenda a ser multimídia, e não a operar multimídia", sintetiza Cazeloto.
Isso significa que um bom trabalho de educomunicação pode ser desenvolvido mesmo com escassez de recursos e precariedade técnica. Muitos dos projetos ligados à Rede CEP e outros tantos espalhados pelo país são realmente feitos nessas condições. O governo federal, contudo, ainda tende a confundir incentivo à alfabetização para a mídia com investimento em tecnologia. Acha que é só colocar computador nas escolas, que a educação começa a acontecer.
 Esse pensamento é fruto da crença na capacidade que o surgimento de novas tecnologias tem de democratizar o acesso à informação e aos meios de se fazer comunicação. Crença que Eugênio Bucci e Edilson Cazeloto definem numa só e mesma palavra: fetiche. Segundo Bucci, o fenômeno repete-se toda vez que uma nova tecnologia se impõe à sociedade. A panacéia da vez é a internet, como já foram no passado o rádio e a televisão. Cazeloto vê nesse fascínio pela tecnologia um grande perigo. Como todas as mídias hoje em dia convergem para a plataforma digital, é como se todos os ovos estivessem sendo colocados numa cesta só. "Democracia tem a ver com pluralidade", aponta.
 
 
 
 
Olhar ao redor
Um dos princípios que norteiam o trabalho dos que promovem a educomunicação no Brasil é baseado na premissa de que toda comunicação é uma relação: fazer a escola olhar para fora de si e levar em consideração a realidade que existe ao seu redor. Não a grande realidade, distante e abstrata, mas a vizinha, concreta, do cotidiano, da comunidade local. É nesse sentido que pouco importa com que recursos a comunicação é feita, e sim que benefícios ela gera. Alexandre Le Voci Sayad entende que, se o colégio não tem recursos para produzir nada, pode desenvolver grandes projetos educativos a partir de idéias simples. "Uma escola firmar parceria com o jornal do seu bairro para produzir uma página de conteúdo, por exemplo, é algo que não envolve custo nenhum para ninguém", sugere.
Além da simplicidade, da capacidade de integrar-se com a comunidade em que está inserida em vez de aventurar-se em projetos megalomaníacos nos quais muitas vezes a tecnologia é usada à-toa, a experiência das ONGs aponta outros pontos que devem ser levados em consideração na hora de estruturar um projeto com mídia na escola. 
O mais importante deles é o interesse dos alunos. Sayad aponta que projetos impostos pela direção ou pelos professores sem consulta às vontades dos estudantes tendem a não durar mais de dois meses. Os jovens os abandonam no meio. Um caminho freqüentemente adotado e que costuma obter um bom índice de resposta é o de formar comitês conjuntos, com participação de alunos e docentes e acordos estabelecidos.
Outra boa iniciativa é permitir que nas oficinas de comunicação os alunos convivam com diferentes profissionais do setor: jornalistas, publicitários, fotógrafos, artistas gráficos. Com isso, fora o ganho cultural que a diversidade naturalmente proporciona, o jovem sente-se mais motivado, pois se percebe envolvido numa atividade profissional de verdade e não num mero trabalho escolar.
Por outro lado, é preciso que diretores e professores não tenham ilusões em relação à educomunicação. Ela mexe com aquilo que o espanhol Jesús Martín-Barbero, um dos mais conceituados teóricos da comunicação, chama de "ecossistema comunicativo", de modo que as relações dentro do ambiente escolar sofrem modificações. O interesse pelo trabalho com mídia pode, por exemplo, vir acompanhado de um crescente desinteresse pelas disciplinas da grade curricular ou pela maneira como são ensinadas. Ao expressar-se pela mídia, o jovem torna-se mais crítico e percebe que tem o poder de se fazer ouvir no colégio. Os professores precisam estar preparados para responder com diálogo e um ensino mais envolvente.
Também não adianta exigir desse tipo de trabalho aquilo que ele sozinho não pode fazer. "Os projetos em educomunicação não salvam a educação brasileira. A escola tem de mudar em vários aspectos simultaneamente", diz Sayad. A participação dos alunos em produção de mídia é somente uma parte disso.
SolBatt agradece sua visita!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS DE PREVENÇÃO DE DROGAS

GUIA PRÁTICO PARA
PROGRAMAS DE
PREVENÇÃO DE DROGAS
MARINE MEYER

GUIA PRÁTICO PARA
PROGRAMAS DE
PREVENÇÃO DE
DROGAS


MARINE MEYER

PSICÓLOGA DO PROGRAMA DE
PREVENÇÃO AO USO INDEVIDO DE
DROGAS DO HOSPITAL ALBERT EINSTEIN


DEPARTAMENTO DE SAÚDE MENTAL
DO HOSPITAL ALBERT EINSTEIN




2003. Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein.

É permitida a reprodução parcial ou total desde que citada a fonte.

Produção, distribuição e informações

Site “Álcool e Drogas sem Distorção”
Programa Einstein de Tratamento de Dependentes de Álcool e Drogas - PAD
Departamento de Saúde Mental do Hospital Albert Einstein

Av. Albert Einstein 627
3º andar, bloco B, sala 387/389
Telefones: (011) 3747 1487 ou 3747- 1486


PREFÁCIO


O objetivo principal deste guia é o de instrumentalizar
escolas a construírem e manterem um programa de
prevenção ao uso de drogas inserido no cotidiano
escolar. As informações contidas neste material são
destinadas preferencialmente aos educadores e mais
particularmente aos professores, pois os
consideramos os agentes preventivos ideais em
função do vinculo afetivo e educativo com os alunos.


SUMÁRIO


CONCEITOS FUNDAMENTAIS 
O QUE É PREVENÇÃO AO USO DE DROGAS?
QUAIS OS NÍVEIS DE PREVENÇÃO AO USo DE DROGAS?
PROGRAMA DE PREVENÇÃO AO USO  DE DROGAS
POR QUE FAZER PREVENÇÃO AO USO DE DROGAS EM ESCOLAS?
COMO AS AÇÕES PREVENTIVAS DEVEM SER ORGANIZADAS?
QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS OBJETIVOS DA
PREVENÇÃO AO USO DE DROGAS EM ESCOLAS 
QUAIS SÃO AS ESTRATÉGIAS? 
ETAPAS DE UM PROGRAMA DE PREVENÇÃO
DIAGNÓSTICO 
DIFICULDADES INICIAIS 
CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL
ORGANIZAÇÃO DAS AÇÕES
AVALIAÇÃO DO PROGRAMA 

CONCEITOS FUNDAMENTAIS

GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS 1DE PREVENÇÃO DE DROGAS


O QUE É PREVENÇÃO AO USO DE
DROGAS?

Prevenção e repressão não são a mesma coisa. Elas
supõem posturas diferentes porém complementares.

·
Prevenção consiste na redução da demanda do
consumo de drogas. Neste caso, as ações têm como
objetivo fornecer informações e educar os jovens a
adotarem hábitos saudáveis e protetores em suas vidas.
Espera-se que as pessoas diminuam ou parem de
consumir drogas.

·
Repressão consiste na redução da oferta de drogas.
As ações repressivas tem como objetivo dificultar o
acesso as drogas como por exemplo: a legislação que
proíbe o uso de algumas droga, ações policiais para
prender traficantes e restrições ao consumo de álcool
e tabaco para menores de 18 anos.

Ambos conceitos encontram-se presentes no cotidiano da
escola: ao mesmo tempo que a escola faz campanhas
educacionais antitabagistas, proíbe a todos (inclusive

professores e funcionários) de fumarem na instituição.

CONCEITOS FUNDAMENTAIS

A comunidade em ação:

PAIS
Podem trabalhar com outras pessoas na
comunidade selecionando programas de

prevenção de qualidade.

EDUCADORES

Podem incluir em sua grade curricular
informação sobre drogas baseada em
evidências científicas.

LÍDERES COMUNITÁRIOS

Auxiliar na escolha, desenvolvimento e
aprimoramento de programas de
prevenção para sua comunidade.

National Institute on Drug Abuse

www.nida.nih.gov


GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS
DE PREVENÇÃO DE DROGAS


CONCEITOS FUNDAMENTAIS

QUAIS OS NÍVEIS DE PREVENÇÃO AO
USO DE DROGAS?

Existem três níveis de prevenção, cada um com os seus
objetivos próprios:

A prevenção primária quer evitar ou retardar a
experimentação do uso de drogas. Portanto, refere-se ao
trabalho que é feito junto aos alunos que ainda não
experimentaram, ou jovens que estão na idade em que
costumeiramente se inicia o uso.

A prevenção secundária tem como objetivo atingir as
pessoas que já experimentaram e que fazem um uso
ocasional de drogas, com intuito de evitar que o uso se
torne nocivo, com possível evolução para dependeria. Na
prevenção secundária o encaminhamento para especialistas
também pode e muitas vezes é indicado como uma forma
preventiva de evitar danos maiores a saúde.

A prevenção terciária corresponde ao tratamento do uso
nocivo ou da dependência. Portanto este tipo de atenção
deve ser feita por um profissional de saúde, cabendo a
escola identificar e encaminhar tais casos.

Não é possível saber com antecedência quem irá ter maiores
problemas com o uso de drogas. Portanto, é melhor prevenir
do que remediar!

GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS 3DE PREVENÇÃO DE DROGAS


PROGRAMA DE
PREVENÇÃO AO USO DE
DROGAS NAS ESCOLAS


GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS
DE PREVENÇÃO DE DROGAS


PROGRAMA DE PREVENÇÃO
AO USO DE DROGAS NAS
ESCOLAS

O Centro Brasileiro de
Informações sobre Drogas
Psicotrópicas (CEBRID) realizou
entre 1987 - 1997 quatro
levantamentos sobre o perfil do
consumo de drogas entre estudantes.
Os solventes foram as drogas que
tiveram maior uso na vida, atrás
apenas do tabaco e o álcool. Dentre
as seis drogas mais utilizadas, três
delas - maconha, anticolinérgicos e
cocaína - tiveram um crescimento de
uso na vida.

www.cebrid.epm.br

60%, 53 % e 40% dos jovens
brasileiros entre 12 - 17 anos
consideram muito fácil conseguir
solventes, maconha e cocaína
respectivamente.

www.cebrid.epm.br

GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS 5DE PREVENÇÃO DE DROGAS

POR QUE FAZER PREVENÇÃO AO
USO DE DROGAS EM ESCOLAS?


A escola tem um papel fundamental no
desenvolvimento sadio do adolescente e do adulto,
pois contribui para a formação global do jovem e
da sociedade. Qual a relação entre educação e
prevenção? A prevenção ao uso de drogas é uma
atitude a ser adquirida desde a infância e
promovida durante toda a vida. Assim, o papel da
escola na prevenção é educar crianças e jovens a
buscarem e desenvolverem sua identidade e
subjetividade, promover e integrar a educação
intelectual e emocional, incentivar a cidadania e a
responsabilidade social, bem como garantir que
eles incorporem hábitos saudáveis no seu
cotidiano. Trata-se de discutir o projeto de vida dos
alunos e da sociedade, ao invés de dar ênfase às
conseqüências como a doença e a drogadição por
exemplo. Neste sentido, a prevenção é mais
adequada quando discute o uso de drogas dentro
de um contexto de saúde.


COMO AS AÇÕES PREVENTIVAS
DEVEM SER ORGANIZADAS?

As ações preventivas podem ser inicialmente
pontuais coordenadas por um membro da escola.
Apesar desta não ser a situação ideal estas atitudes
precisam ser incentivadas e valorizadas. Afinal, é a
partir do interesse de alguns que programas de
prevenção podem ser estruturado a longo prazo.
Esta pessoa pode coordenar e mobilizar a
comunidade escolar para a relevância do tema.

No entanto, é o programa de prevenção o modelo
que garante a continuidade das ações preventivas
que são fundamentais para mudar o comportamento
das pessoas sobre os riscos do uso de droga. O
programa de prevenção precisa fazer parte do
cotidiano, ser intensivo, precoce e duradouro, com
tendência para envolver pais e comunidade em suas
atividades. O programa ideal é aquele que é
desenvolvido durante toda a escolaridade dos
alunos.

PROGRAMA DE PREVENÇÃO
AO USO DE DROGAS NAS
ESCOLAS

GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS
DE PREVENÇÃO DE DROGAS


PROGRAMA DE PREVENÇÃO
AO USO DE DROGAS NAS
ESCOLAS

ALGUNS FATORES DE RISCO
Comportamento agressivo precoce
Falta de apoio familiar
Abuso de álcool, tabaco e outras drogas
Fácil acesso e permissividade
pobreza

National Institute on Drug Abuse

www.nida.nih.gov

GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS 7DE PREVENÇÃO DE DROGAS

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS OBJETIVOS


DA PREVENÇÃO AO USO DE
DROGAS EM ESCOLAS?


Um programa de prevenção não pode ter como meta
principal por fim a toda e qualquer ocorrência com drogas
na escola ou propor que os usuários deixem de existir. É
preciso tomar cuidado para não cair na armadilha de tentar
banir as drogas da escola e da sociedade. Esta é uma
empreitada impossível!
Portanto, o planejamento das atividades preventivas devem
ter como meta diminuir a probabilidade do jovem envolver-
se de maneira indevida com o uso de drogas. Para isso, os
programas de prevenção ao uso de drogas devem enfatizar
a redução dos fatores de risco e ampliação dos fatores
de proteção.

Nem toda pessoa que experimenta ou usa uma droga se
tornará um dependente químico. Por outro lado, todo
dependente um dia experimentou uma droga. O grande
problema é que não dá para saber com antecedência, entre
as pessoas que começam a usar drogas, quais serão
usuárias ocasionais e quais se tornarão dependentes. Para
se fazer prevenção é preciso basear-se nos diversos
padrões de uso de drogas. Não é em vão que a devem
realizar um diagnóstico para verificar o tipo de usliteratura
sugere que programas de prevenção o e quais as drogas
consumidas por aquela comunidade, para então adequálos
as necessidades reais da mesma.


QUAIS SÃO AS ESTRATÉGIAS?


Para fazer prevenção em escolas não é preciso reinventar
a roda, já existem modelos de prevenção pesquisados e
sugeridos para o trabalho. Estes correspondem ao leque
de estratégias que podem ser usadas para planejar e
realizar atividades preventivas. A literatura sugere que os
programas de prevenção mesclem as diversas estratégias
para garantir uma diversidade de ações obtendo assim
melhores resultados na prevenção ao uso de drogas. A
escolha adequada de um modelo de prevenção se dará em
função de uma série de critérios, tais como: a filosofia da
instituição, do tipo de atividade, da população alvo, do local
e de seus recursos e, principalmente, das necessidades
daquela população.

Vejam a seguir os principais modelos de prevenção
sugeridos na literatura para desenvolver programas de
prevenção ao uso indevido de drogas:

1. Modelo do amedrontamento
Este modelos baseia-se em fornecer informações que
enfatizam as conseqüências negativas do uso de drogas de
modo dramático. A prevenção ao uso de drogas nestes
moldes tem pouca eficácia, pois muitas vezes o medo parece
ser um argumento pouco convincente frente ao suposto
prazer que o adolescente atribui ás drogas.

PROGRAMA DE PREVENÇÃO
AO USO DE DROGAS NAS
ESCOLAS


GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS
DE PREVENÇÃO DE DROGAS


PROGRAMA DE PREVENÇÃO
AO USO DE DROGAS NAS
ESCOLAS

2. Educação para o conhecimento científico
Propõe o fornecimento de informações sobre drogas de
modo imparcial e científico. A partir destas informações os
jovens podem tomar decisões racionais e bem
fundamentadas sobre as drogas. Contudo, também
precisamos fazer uma ressalva na utilização deste modelo.
Informação em excesso e detalhista sobre os efeitos das
diferentes drogas, também pode ter o efeito contrário do
almejado: despertar a curiosidade e portanto induzir o uso
de drogas. Lembramos que para prevenir o uso de drogas é
preciso informar os jovens, mas também abordar e discutir

o prazer que os jovens atribuem a mesma como uma forma
de conscientizá-los e desmistificar algumas crenças e
concepções a cerca dos efeitos do uso de drogas.
3. Treinamento para resistir
Busca desenvolver habilidades para resistir às pressões do
grupo e da mídia para experimentação ou uso de drogas.
Para tanto, são desenvolvidos exercícios que treinam os
jovens a recusar a droga oferecida.

4. Treinamento de Habilidades Pessoais e Sociais:
Este modelo entende que o ensino de habilidades e
competências como um fator de proteção necessário para
lidar melhor com as dificuldades da vida. Também procura
desenvolver competências mais gerais, tais como lidar com
a timidez ou como desenvolver amizades saudáveis.

GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS 9DE PREVENÇÃO DE DROGAS


5. Pressão de Grupo Positiva
Acredita que os próprios jovens podem liderar atividades
de prevenção. Lideres naturais adolescentes são
identificados e treinados por adultos para desenvolver ações
preventivas.

6. Educação afetiva
Defende que jovens emocionalmente e psicologicamente
saudáveis correm menos riscos de ter um uso problemático
de substâncias psicoativas. Este modelo visa o
desenvolvimento interpessoal dos jovens estimulando e
valorizando a auto-estima, a capacidade de lidar com a
ansiedade, a habilidade de decidir e relacionar-se em grupo.

7. Oferecimento de alternativas
Pretende oferecer alternativas interessantes e saudáveis
ao uso de drogas, propiciando aos jovens possibilidades
de lazer, prazer e crescimento pessoal. Exemplos dessas
alternativas podem ser atividades profissionalizantes,
esportivas, artísticas e culturais.

8. Modificação das condições de ensino
Sugere a modificação das práticas educacionais, a melhoria
do ambiente escolar, o incentivo a responsabilidade social,

o comprometimento da escola com a saúde dos seus alunos,
o envolvimento dos pais em atividades curriculares, e a
inserção do tema no em sala de aula como atitudes
importantes na prevenção ao uso de drogas.
PROGRAMA DE PREVENÇÃO
AO USO DE DROGAS NAS
ESCOLAS

Aparticipação autônoma das partes

envolvidas é fundamental para a
implantação e desenvolvimento de
estratégias de prevenção efetivas.

National Drug Framework of Australia

www.health.gov.au


GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS
DE PREVENÇÃO DE DROGAS


PROGRAMA DE PREVENÇÃO
AO USO DE DROGAS NAS
ESCOLAS

9. Educação para a saúde:
Educar para uma vida saudável é a proposta central deste
modelo. Assim, orientar para uma alimentação adequada,
para atividades não propiciadoras de estresse, para uma
vida sexual segura, para a prática de exercícios físicos, uso
adequado de remédios e até para a escolha correta da
pessoa que dirigirá o carro num passeio de grupo, compõem
um currículo em que a orientação sobre os riscos do uso de
tabaco, álcool e drogas também se faz presente. Muitas
vezes são discutidos temas mais gerais, como meio
ambiente, poluição e trânsito visando formar um estudante
com consciência de algumas características problemáticas
do mundo que o cerca e com capacidade de escolher uma
vida mais saudável para si e sua comunidade.

GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS 11DE PREVENÇÃO DE DROGAS


ETAPAS DE UM
PROGRAMA DE PREVENÇÃO

I. O DIAGNÓSTICO
PRINCÍPIOS DA PREVENÇÃO
PRIMEIRO

Os programas de prevenção devem
aumentar os fatores de proteção e
reduzir os fatores de risco.

SEGUNDO

Os programas de prevenção devem

abordar todos os tipos de droga e

todas as formas de uso, incluindo o
uso de drogas lícitas por menores de
idade, de drogas ilícitas, bem como o

uso inapropriado de substâncias

obtidas legalmente, tais como os

solventes e as drogas prescritas.

TERCEIRO

Os programas de prevenção devem
estar adaptados as necessidades
específicas de cada comunidade

National Instute on Drug Abuse

www.nida.nih.gov

GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS
DE PREVENÇÃO DE DROGAS


O DIAGNÓSTICO

A prevenção deve ser considerada
uma atividade de todo o dia. Já a
intervenção deve ser direcionada a

locais específicos onde as pessoas
vivem , trabalham e passeiam.

Swiss Federal Office of Public Health

www.suchtundaids.bag.admin.ch

GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS 13DE PREVENÇÃO DE DROGAS

O ponto de partida é “tirar uma fotografia da escola” o que
no termo técnico significa realizar um diagnóstico. É preciso
saber qual é a amplitude do problema na escola para poder
solucioná-lo. Se as ocorrências com uso de drogas têm sido
relacionados ao álcool e a maconha a prioridade não é
desenvolver atividades voltadas para o uso de cocaína.
Assim o programa deve ser adaptado em função da
realidade e das necessidades de cada escola.

O diagnóstico visa a identificar :

-O público alvo do programa: incidência e prevalência
do uso de drogas, características sócio-econômicas
e demográficas, identificação dos grupos ou jovens
com comportamento de risco.

-Tipos de drogas consumidas, freqüência e uso.

-Valores, atitudes e crenças a respeito das drogas e
dos usuários.

-Levantamento das condições de ensino e da rotina
escolar.

-Condução dos casos de alunos usuários ou
dependentes.

-Informações sobre o tema da comunidade escolar.


 Como fazer o diagnóstico:

 Sugerimos essencialmente três etapas:

A. Pesquisa epidemiológica:
-Questionários anônimos e de auto preenchimento
(padronizado pela Organização Mundial de Saúde). Os
questionários visam a caracterizar a população, medir o
uso de drogas desses alunos, seus conhecimentos e
opiniões a respeito do tema. Este procedimento apresenta
um grau de dificuldade alto para sua realização, pois exige

o acompanhamento de técnicos e é custoso. A parceria
com universidades ou instituições especializadas deve
ser estudada e é aconselhada. Além disso, o uso deste
instrumento exige cautela pois é comum um sentimento
de perseguição dos alunos que podem não responder o
questionário adequadamente por medo.
B. Levantamento do conhecimento sobre o tema:
-Elaboração de um roteiro de perguntas baseadas nas
informações que se deseja obter. O mesmo deve ser
rigorosamente planejado e estruturado para garantir a
confiabilidade dos resultados e sua reaplicação.

-Atividade realizada com um grupo de no máximo 12
participantes. O grupo terá um coordenador e um
observador (anota e grava a discussão). A partir das
questões propostas pelo coordenador do grupo, os
participantes irão expor e debater suas opiniões e
conhecimentos sobre o tema.

-Pode ser aplicada em alunos, professores e pais.

O DIAGNÓSTICO


GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS
DE PREVENÇÃO DE DROGAS


O DIAGNÓSTICO

GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS 15DE PREVENÇÃO DE DROGAS

C. Mapeamento da Instituição:
-Observação da rotina escolar (alunos e funcionários) e
da proposta pedagógica da escola, para moldar as etapas
do programa de prevenção ao funcionamento da escola.

-Avaliação do ambiente físico e arredores da escola:
presença de bares e padarias próximos, a freqüência dos
alunos a estes locais, opções de lazer no local.

-Levantamento de como a problemática das drogas é
abordada na escola: modo de encaminhamento, tabagismo
entre os professores e os alunos, o que acontece ao aluno
quando é pego usando ou portando drogas na escola,
venda de bebida alcóolica durante festas da escola.

-Avaliação de como as questões de saúde são abordadas
na escola: medicação dos alunos, presença de “farmácia”
na escola e seu responsável, se a escola mantém um
registro do número de intercorrencias de saúde.

-Levantamento do número de ocorrências envolvendo
drogas na escola.

-Levantamento de atividades preventivas que já foram
desenvolvidas na escola para evitar a repetição das
mesmas atividades e temas. Também é uma forma de
detectar os conhecimentos preexistentes e já trabalhados
pela escola com a comunidade.

-Levantamento dos recursos materiais, humanos e físicos
disponíveis para a realização do programa.


ETAPAS DE UM
PROGRAMA DE PREVENÇÃO

II. DIFICULDADES INICIAIS
GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS
DE PREVENÇÃO DE DROGAS


DIFICULDADES INICIAIS

Comunidades coesas e com
qualidade de vida ficam menos
vulneráveis aos efeitos do uso
indevido de drogas.

Drug Strategy - United Kingdom

www.drugs.gov.uk

GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS 17DE PREVENÇÃO DE DROGAS

Algumas das dificuldades iniciais para inserção do programa
de prevenção na escola podem ser:

A.
Tráfico de drogas na escola.
Trabalhar o tema indiretamente (no caso de escolas com
tráfico intenso). Neste casos, a escola pode trabalhar com
ações que despertem a cidadania e a responsabilidade social,
ajudando os alunos a encontrarem soluções para os
problemas de sua comunidade. Utilizar-se do modelo de
educação afetiva desenvolvendo atividades com artes ou
música que ajudam a melhorar a auto estima destes jovens.
Esta maneira de desenvolver o trabalho de prevenção é um
excelente recurso para firmar parcerias com todos os setores
da escola. Ele é educativo sendo portanto do interesse de
toda a comunidade e do qual todos podem participar.

B.
Falta de preparo técnico com relação ao tema e boicote
ao trabalho.
A busca de informações científicas e confiáveis diminui a
insegurança trazendo tranqüilidade e qualidade ao programa
de prevenção ao uso de drogas.

C. Sentimento de desconfiança dos alunos com relação
a uma postura repressora e acusatória da escola.
Como vimos na questão dois, a prevenção e repressão são
muitas vezes confundidas. Portanto, o trabalho a ser realizado
é similar ao mencionado no item A desta resposta. È preciso
desenvolver atividades que mobilizem e interesse ao jovens.
Além disso, é importante evitar criar um clima de acusação e
identificação.


D. Falta de regras claras sobre o uso de drogas na escola.
Nenhum tipo de consumo de drogas deve ser permitido na
escolas sejam elas lícitas ou ilícitas. Recomenda-se que o
consumo de álcool (até para os adultos) seja evitado nas
festas comemorativas da escola. Este é um excelente
momento para se divertir sem se embriagar. Também é preciso
prever e estabelecer um protocolo de medidas para alunos
que são usuários ou forem pegos usando drogas dentro da
escola.

DIFICULDADES INICIAIS


GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS
DE PREVENÇÃO DE DROGAS


ETAPAS DE UM
PROGRAMA DE PREVENÇÃO

III. A CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL
GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS 19DE PREVENÇÃO DE DROGAS


Todo o corpo educativo precisa ser capacitado para
desenvolver o tema drogas em sala de aula e no cotidiano
escolar. Esta é uma tarefa que requer tempo e investimento.

A formação de um grupo representativo para coordenar e
organizar o programa é a maneira ideal para iniciar as
atividades preventivas. Esta estrutura agiliza a implementação
do programa na escola. Posteriormente, seus membros
podem transmitir os conhecimentos a todos na escola.

Composição ideal do Grupo de Multiplicadores:

-Ter cinco a seis pessoas para garantir maior comunicação
e possibilidade de decisão. Um dos integrantes pode ser

o coordenador do grupo.
-Participar voluntariamente do grupo e do programa. A
situação ideal é que os dirigentes da escola não
determinem quem irá compor o grupo de trabalho.

-Ter educadores da maioria das séries, disciplinas (exatas,
humanas, línguas, artes e etc...) e áreas (direção ou
coordenadores pedagógicos, professores e funcionários
e etc...) da escola representadas no grupo.

Condições a serem oferecidas pela escola:

-Garantir horários fixos para reuniões de planejamento e
para organização das atividades preventivas.

-Disponibilizar recursos materiais.

-Valorizar e apoiar o trabalho.

-Incentivar e promover a capacitação técnica dos
professores sobre o tema.

CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL

Segundo o Plan Nacional sobre
Drogas (Espanha), os professores
devem saber abordar o tema drogas
no cotidiano da escola por meio de
atividades curriculares e
extracurriculares. Para isso devem
estar devidamente capacitados,
munidos de material didático e
repertório para atividades, bem como
conectados a profissionais
especializados para
encaminhamentos.

www.mir.es/pnd


GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS
DE PREVENÇÃO DE DROGAS


CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL

Formação do Grupo de Multiplicadores:

-Ter acesso a conhecimentos básicos sobre prevenção e
drogas para, posteriormente, transmiti-los aos seus
colegas.

-Contemplar aspectos teóricos mas também aspectos
práticos envolvidos na prevenção ao uso de drogas.

-Promover dinâmicas de grupo para que aspectos afetivos
e emocionais dos professores e funcionários sejam
abordados de modo a prepará-los a trabalhar e
reaplicarem esta dinâmica com alunos e pais.

-Participar de cursos e promover grupos de estudos bem
com discussões pertinentes ao tema com a comunidade
escolar.

-Definir as estratégias a serem utilizadas para abordar o
tema na escola e em sala de aula.

-Planejar atividades preventivas para o ano letivo.

-Criar protocolos de avaliação.

-Formar um acervo de aulas, materiais, atividades, textos,
livros, lista de filmes e de sites na Internet.

GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS 21DE PREVENÇÃO DE DROGAS


ETAPAS DE UM
PROGRAMA DE PREVENÇÃO

IV. A ORGANIZAÇÃO DAS AÇÕES
GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS
DE PREVENÇÃO DE DROGAS


ORGANIZAÇÃO DAS AÇÕES

Para a prevenção eficiente:
IDENTIFIQUE
CONSTRUA
DESENVOLVA
PROJETE
INCLUA

National Institute on Drug Abuse

www.nida.nih.gov

GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS 23DE PREVENÇÃO DE DROGAS

A partir das informações obtidas no diagnóstico e
considerando os objetivos gerais do projeto é preciso
organizar as atividade preventivas para que os problemas
com uso de drogas sejam solucionados e abordados. Para
tanto é preciso fazer um plano de trabalho. O planejamento
deve contemplar a preparação de atividades preventivas
para toda a comunidade escolar ( corpo educativo, pais e
alunos). Este poderá ser anual ou semestral.

A escola deve ter um planejamento consistente para fazer
um trabalho preventivo, mas deve também estar preparada
para agir diante de situações imprevistas, e aproveitar todas
as oportunidades possíveis para agir de forma positiva na
formação de seus alunos.

Algumas dicas para a construção de um plano de
trabalho

-Que tipo de atividade deve ser realizada para reduzir ou

evitar o consumo de drogas e favorecer os fatores de

proteção?

-O que precisa ser feito para atender as necessidades
levantadas no diagnóstico?

-Que atividades devem ser realizadas para que todos os
setores da escola sejam atingidos pelo programa?

-Quem é o público alvo desta atividade?

-Qual a melhor estratégia para planejar esta atividade?


-Quantas atividades serão necessárias para atingir toda a
população durante o ano?

-As atividades desenvolvidas precisam ser
sistematicamente registradas e descritas para a realização
da avaliação e reutilização.

-Ao menos uma vez por ano, deve haver uma avaliação
das atividades realizadas e redefinição das metas para o
ano seguinte.

 Como trabalhar o tema na escola

As atividades preventivas têm maior impacto quando são
dirigidas aos alunos e aos seus familiares e se toda a
comunidade escolar estiver mobilizada. Elas devem abordar
todas as formas de abuso de drogas, incluindo as legais e as
ilegais, dando prioridade às mais consumidas naquela
comunidade.

A continuidade das atividades preventivas pode ser garantida
ao serem inseridas no programa pedagógico da escola
através dos temas transversais, e nos eventos propostos pela
escola como festas, assembléia ou reunião de pais. Datas
comemorativas também podem ser um excelente recurso para

o desenvolvimento de atividades preventivas, como por
exemplo, o dia internacional de combate às drogas. O projeto
também pode criar e propor atividades preventivas
extracurriculares como campeonatos esportivos ou palestras
informativas.
ORGANIZAÇÃO DAS AÇÕES

GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS
DE PREVENÇÃO DE DROGAS


ORGANIZAÇÃO DAS AÇÕES

GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS 25
DE PREVENÇÃO DE DROGAS


Exemplos de atividades preventivas:

Professores e funcionários: Criar um banco de aulas,
atividades e dinâmicas reaplicáveis que abordem todas as
drogas e os diferentes usos. Elaborar material didático:
cartilhas e folhetos.

Pais: Criar um canal de discussão e de parceria com os
pais através de eventos específicos. Promover uma
discussão sobre os fatores de risco e de proteção

Alunos: Planejar projetos pedagógicos e culturais:
exposições de pesquisas e trabalhos realizados. Discussão
de algumas propagandas de álcool e medicamentos, por
exemplo.


A AVALIAÇÃO DO
PROGRAMA
GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS
DE PREVENÇÃO DE DROGAS


AVALIAÇÃO DO PROGRAMA

GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS 27
DE PREVENÇÃO DE DROGAS


A avaliação é o processo para verificar se o programa de
prevenção desenvolveu-se conforme os objetivos definidos
e problemas levantados no diagnóstico inicial. Ela permite
observar as dificuldades e facilidades encontradas durante
a realização do trabalho e ajustar o programa para as
próximas etapas.

Para uma avaliação geral do programa sugerimos que sejam
realizados três tipos de avaliação: da estrutura, dos processos
e dos resultados do programa de prevenção.

Seguem algumas dicas para realizar as avaliações:

A avaliação do estrutura e do processo do projeto são formas
de se verificar o desenvolvimento do programa. Para isso, é
fundamental a elaboração de um instrumento de registro e
de avaliação.

-Seguem algumas questões a serem consideradas para
as avaliações:

1.
Desempenho e capacitação do Grupo de Multiplicadores.
2.
Inserção do programa na escola: pais, alunos e
educadores.
3.
Metodologia utilizada (divulgação, estratégia de
prevenção, comunicação com o público alvo...).
4.
Qualidade das atividades preventivas.
5.
O planejamento foi mantido e atingiu seus objetivos?
6.
Os recursos disponíveis foram suficientes?

Seguem algumas estratégias para auxiliar a avaliação dos
resultados:

1. Pré/Pós-testes
Desenvolvimento de questionários para medir a opinião dos
alunos sobre as drogas e seus conhecimentos sobre o tema.
Aplica-se o teste antes e após a atividade preventiva. Depois
se compara se houve alguma alteração no comportamento e
no conhecimento dos sujeitos.

2. Número de ocorrências
Levantamento do número de ocorrências com drogas na escola
durante o programa. O fato de elas aumentarem não significa
necessariamente que o programa falhou. Este índice pode ser
um indicativo de que o tema esta mais presente na escola e,
as pessoas têm procurado maior apoio junto à escola. Portanto
pode até ser positivo.

3. Número de intercorrencias de saúde
Levantamento do número de intercorrencias de saúde (faltas
por doença, pedido de medicamentos e sua indicação) durante
o ano escolar. Este pode ser um indicador de que o
programa tem afetado o comportamento em relação a auto-
medicação e a medicação sem orientação médica. Uma
redução deste número bem como uma atitude mais consciente
no uso de medicamentos, pode ser um resultado positivo do
trabalho realizado.

AVALIAÇÃO DO PROGRAMA
GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS
DE PREVENÇÃO DE DROGAS


AVALIAÇÃO DO PROGRAMA

GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS 29
DE PREVENÇÃO DE DROGAS


4. Número de casos
Levantamento do número de alunos encaminhados para
profissionais de saúde por terem um comportamento abusivo
ou de dependência de drogas. Verificação se este número
aumentou, diminui ou manteve-se inalterado.

5. Inserção do programa na escola
Levantamento do número de intervenções realizadas pelo
grupo de multiplicadores em parceria com os outros
professores da escola. Pode se verificar se o grupo de
multiplicadores atingiu seu propósito:

O programa de prevenção ao uso de drogas está inserido no
cotidiano e no programa pedagógico da escola?

Os professores da escola têm tido autonomia para abordar o
tema drogas em sala de aula? Quantas atividade
desenvolveram?

Como os casos e os episódios de alunos envolvidos com
drogas foram conduzidos na escola? Nota-se um maior
preparo por parte dos professores e inspetores?

6. A participação
Pretende quantificar o número de pessoas que o programa
atingiu e, o número de atividades que cada indivíduo
participou. A partir destes dados, verifica se o programa está
alcançando toda a população inicialmente planejada. Para
esta avaliação se faz necessário à elaboração de um
instrumento de registro para que após cada atividade
realizada durante o programa, estes fatores sejam medidos.


7. Pesquisas epidemiológicas
Consiste na reaplicação de questionários epidemiológicos
(conforme explicado no item diagnostico) após pelo menos
um ano de programa. Tem como objetivo verificar se houve
alteração no conhecimento e no consumo de drogas com
relação aos resultados obtidos na pesquisa durante o
diagnóstico. A realização deste tipo de avaliação implica em
uma parceria com instituições de pesquisas especializadas.

8. Levantamento de opiniões e conhecimentos sobre o
tema
Reutilização dos grupos realizados durante o diagnóstico. A
composição do grupo e o roteiro de perguntas devem ser
mantidos para verificar se houve alteração no discurso após
a realização de atividades preventivas na escola. Deve ser
feito no mínimo após um ano de programa.

AVALIAÇÃO DO PROGRAMA

A prevenção primária deve ser
assumida como resposabilidade do
conjunto da sociedade, dos poderes
públicos, das instituições privadas, da
comunidade escolar, das famílias, das
empresas, dos meios de comunicação,
numa competência partilhada.

Plano e Açõa Nacional de Luta contra
as Drogas - Portugal

www.drogas.pt
GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS
DE PREVENÇÃO DE DROGAS